EDUCAÇÃO
O comportamento dos adolescentes em sessões de
cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale do Rio São
Francisco
Raylene Rêgo Braz Andrade
Oliveira*
publicado em 03/07/2010
RESUMO
Neste artigo estão
abordadas questões ligadas, ao comportamento por parte de alguns adolescentes,
telespectadores no cinema de uma cidade localizada no interior de PE. Tópicos
relevantes como o que diz a Lei sobre o adolescente; o que significa
adolescência; e qual o papel do Pedagogo Social diante dessa problemática são
evidenciados. Ressalta-se, contudo que o tema defendido é decorrente da
elaboração de um projeto de intervenção Pedagógica Social, que visa
mobilizar os responsáveis pelo cinema da
região, para que possam desenvolver ações que despertem e incentivem nos
adolescentes, a importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como
os dos outros, a fim de que passem a conhecer e vivenciar os seus limites e
alternativas, facilitando o seu próprio acesso e inserção no meio
social.
Palavras-
chave: Adolescência,
Comportamento, Pedagogo Social.
INTRODUÇÃO
A adolescência é considerada como uma fase que antecede a
etapa adulta. È caracterizada, no entanto, por sub fases que envolvem,
desenvolvimento físico significativo, oscilação no lado emocional, o sentimento
de dúvida entre o amor e o ódio, maturação dos órgãos sexuais (reprodutores),
incertezas diante das
escolhas (dentre elas a profissional); o relacionamento com pessoas (grupos) que
demonstrem as mesmas preferências, demonstram repúdio em relação aos limites
impostos pela família, por considerarem autoritarismo, e muitas outras
caracterizações. Diante dessa realidade, cabe aos adultos tentarem compreender e
orientar os adolescentes cheios de idéias, inovações, medos, incertezas e que se
encontram em constante transformação; porém, compreender não significa ceder a
caprichos, nem se deixar seduzir pelos apelos dos adolescentes, mas sim
refletir, ponderar, decidir de maneira flexível, sem abrir mão dos limites
precisos e necessários à formação do futuro adulto, em especial, do
cidadão.
O presente artigo, no entanto,
visa evidenciar a caracterização de adolescência e do adolescente; envolvendo o
que diz a Lei, dando ênfase ao comportado de alguns adolescentes nos dias
atuais, no cinema da cidade do interior pernambucano no vale do São Francisco.
As fundamentações objetivam, dentre outros, divulgar como os adolescentes têm,
usufruídos seus direitos, e como têm cumprido os seus deveres perante os espaços
que freqüentam e a sociedade de maneira geral.
Contudo, o tema tratado é decorrente de observações
realizadas como telespectadora do cinema local. E na condição de Pós Graduanda
em Pedagogia Social pela FINOM e por realizar trabalhos educativos como
pedagoga; surgiu a necessidade de estudo e aprofundamento sobre a temática,
incluindo o papel do Educador Social frente a essa realidade.
1. ADOLESCÊNCIA X
COMPORTAMENTO.
O termo
adolescência quase sempre é substituído por juventude. E com isso “Podemos
considerar, então, que a adolescência é uma fase típica do desenvolvimento do
jovem de nossa sociedade”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p.
293)
De acordo com Içami Tiba, a Adolescência
“está muito bem definida no desenvolvimento biológico pelo aparecimento dos
pêlos pubianos, resultado da produção dos hormônios sexuais. Ela é marcadamente
em processo biológico”. (2005, p.32).
No
entanto, a adolescência é caracterizada por um período em que o tanto garoto
quanto a garota procuram se afastar dos seus próprios laços afetivos, da sua
família, por preferirem a proximidade dos de colegas, de novos grupos. O
adolescente faz suas próprias escolhas, decide com quem quer andar, que roupa
usar, que lugares e diversões preferem. Contudo, a sua identidade está em
constante movimento e o seu comportamento vai sendo marcado por situações e
ações inusitadas.
A
respeito diz Bock; Furtado; Teixeira (idem, p. 207), “identidade é um processo
de construção permanente, em contínua transformação – desde antes de nascer até
a morte!”.
No que
se refere à identidade como processo em movimento, registra-se que, não só os
adolescentes, mas todos os seres humanos passam por contínuas transformações e
possuem comportamentos que na maioria das vezes caracterizam-se pela sua
interação com o meio. Tais comportamentos de acordo com a psicologia são
classificados como operantes. Portanto, o comportamento operante que também faz
parte da vida do adolescente “inclui todos os movimentos de um organismo dos
quais se possa dizer que, em algum momento, tem efeito sobre ou fazem algo ao
mundo em redor”. (KELLER. 1972, p. 10).
Vale ressaltar que
inexistência de diálogo, da exposição e vivência de valores por parte dos pais
em relação aos filhos contribui muitas vezes com a reprodução de comportamentos
negativos. Os filhos (crianças e adolescentes) por se encontrarem em fase de
imitação do adulto e do outro, acabam por seguir exemplos nada satisfatórios e
contraditórios aos olhos da sociedade em que estão inseridos. A respeito
evidencia-se:
É na adolescência
que o filho lança-se para ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele e socorrê-lo
quando preciso. Também é da responsabilidade educativa dos pais interferir
quando algo não vai bem, sob pena de estar negligenciando a educação”. (IÇAMI
TIBA, 2005, P. 35)
É
cabível evidenciar que a família atual, base de toda a educação, e as
instituições tradicionais também desconhecem ou não desejam assumir o seu papel
educativo. A família hoje, terceiriza a sua responsabilidade de várias maneiras
e com isso o adolescente é a criança que ingressa na escola aos dois anos de
idade. E assim, desde a mais tenra idade, passa mais tempo com pessoas estranhas
e conseqüentemente mais distantes dos laços afetivos familiares.
É
sabido que a convivência com o outro é imprescindível e “que o ser humano só
desenvolve potencialidades em contato com outras pessoas, com o meio social. A
convivência no grupo, por sua vez, só é possível se o indivíduo acatar certas
regras comuns a todos, se for capaz de “abrir mão” de alguns de seus desejos
para ter outros, socialmente aceitos”. (Meksenas, 1994, p. 37). O autor reforça
a idéia de respeito mútuo, de fazer valer os direitos e cumprimento de deveres
individuais.
Não se
pretende com a fundamentação defendida, levantar uma bandeira em prol de
imposições arbitrárias, por meio de regras rígidas para com os nossos
adolescentes, mas sim, levá-los a conhecer limites, “[...] construir o conceito
de patrimônio público, coletivo, tão importante para o exercício da cidadania”.
(PCN, vol. 8, 2001).
O adolescente é
conhecedor de que pode sonhar junto e assim transformar a sociedade. Diante
disso, organiza-se em grupo para enfrentar seus anseios e concretizar idéias.
“Para garantir esse ideal [...], o jovem organiza-se em grupos, como as gangues,
os grupos de punks, os grupos de motoqueiros, os grupos de política estudantil
etc., buscam uma subcultura e uma identidade própria”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA,
idem, p. 301).
Todas as diferenças existentes no
comportamento modelado em sociedade resultam da maneira pela qual os homens
organizam as relações entre si, que possibilitam o estabelecimento das regras de
conduta e dos valores que nortearão a construção da vida social, econômica e
política. (ARANHA, 1993, p. 37)
É
importante registrar que os adolescentes têm necessidades curiosas, vontades
estranhas, comportamentos imediatos, onde realizam antes mesmo de pensarem e a
pressa se revela na vivência de cada momento como se fosse o último de suas
vidas, atropelando regras e a supremacia dos valores. Porém, os responsáveis
por outras instituições que não sejam a família, a igreja, a escola não se
atentam para tal realidade, e acreditam que não é de sua responsabilidade
contribuir com intervenções mesmo que sejam informais. Isso se justifica por
serem adultos que também não tiveram orientação precisa quando eram adolescentes
e hoje desconhecem as melhores formas de lhe darem com os jovens.
2. O ADOLESCENTE: O
QUE DIZ A LEI
A Constituição Federal
(1988), Art.
227 também assegura os direitos do cidadão. E assim
evidencia:
É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, a profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
De
acordo com o Estatuto da Criança e o Adolescente / ECA, Lei N. 8.069,
“considera-se [...], adolescente aquele entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de
idade”. (Art. 2º). Em seu Artigo 3º consta:
A criança e o adolescente gozam de
todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por
outros meios, todas as oportunidades e facilidade, a fim de lhes facilitar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de
liberdade e dignidade.
Já a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece em seu Art. 1º. que “A
educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
cultuais”.
De
acordo com Ramiro Marques (2000, p. 55) “A Lei de Bases do Sistema Educativo
recomenda uma educação para a cidadania através da abordagem de temas
transversais, [...]”. Tais temas são vistos como integrantes a todas esferas
educativas: formal, informal, não formal; por serem classificados como temáticas
urgentes sinalizados pela sociedade. Ou seja, os temas transversais estão
ligados “à construção da cidadania por meio de temas da atualidade
[...]*”.
Analisando algumas Leis, entende-se que espaços de entretenimento também são ou
deveriam ser favoráveis à educação do cidadão. Obviamente esses espaços não são
responsáveis pela educação formal
que está ligada a aprendizagem escolar. Mas, sim pela informal que é
caracterizada pelo convívio familiar, com o vizinho, tios, primos, com
diferentes grupos dentre outros e até mesmo por meio da não formal, que se dá de
forma organizada, porém, fora dos âmbitos educacionais. Ou seja, essas
instituições podem abrir espaço para que líderes, facilitadores, educadores da
educação não formal desenvolvam atividades em paralelo ao local de
entretenimento. Ressaltando ainda, que as ações da educação não formal não são
vistas como atitudes de padronização de hábitos e de conduta, nem como ações de
rigidez, de exigência, ou modelo a ser seguido. Mas sim, como alternativa de
conscientização, de valorização a si próprio e ao outro. Para melhor compreensão
registra-se:
A educação formal compreenderia instâncias
de formação, escolares [...], onde há objetivos educativos explícitos e uma ação
intencional institucionalizada, estruturada, sistemática. [...] A educação
informal corresponderia a ações e influências exercidas pelo meio, pelo ambiente
sócio cultural, e que se desenvolve por meio das relações dos indivíduos e
grupos com seu ambiente humano, social, ecológico, físico e cultural das quais
resultam conhecimentos, [...], mas que não [...] são intencionais e organizas. A
educação não formal seria realizada em instituições educativas fora dos marcos
institucionais, mas com certo grau de sistematização estruturação ¹.
Diante da citação exposta, compreende-se que espaços como
teatros e cinemas podem ser utilizados como auxiliares educativos informais e
não formais. Podem enquadrar-se como locais que possibilitam o desenvolvimento
moral e social, em condições de liberdade, e assim estará colocando em prática
parte do Art. 2º do ECA, já citado anteriormente.
3. O ADOLESCENTE COMO TELESPECTADOR NO
CINEMA DE UMA CIDADE INTERIORANA DO VALE DO SÃO FRANCISCO
O
cinema do Vale do são Francisco assim como outros atende a diversos públicos por
meio de programações pertinentes a cada faixa etária. No entanto, parte do
público adolescente que freqüenta o local, vem desrespeitando o direito dos
demais telespectadores, ao fazer uso de palavrões, gritarias, guerrinhas com
sacos de pipoca amassados, dentre outros.
“E o
que diferencia o homem de todos os outros seres do mundo é a capacidade de
buscar incessantemente, com base na virtude, na excelência, fazer melhor a vida
dos outros”, diz Chalita (2009, p.36). Porém, esse diferencial humano, vem se
revelando distante da realidade vivida por parte de alguns adolescentes da nossa
região. E a comprovação da afirmativa se dá exatamente no ato de levar as
crianças hoje ao cinema local, porque acabamos disponibilizando aos seus
ouvidos, um vocabulário chulo e antiético, distanciando os valores morais que
contribuem com o exercício da cidadania. Assistir a um filme hoje, estendido ao
público infantil se tornou um tormento na cidade do interior de Pernambuco, uma
vez que nos deparamos com adolescentes desconhecedores do senso ético, e para
completar, o ar condicionado vem apresentando refrigeração
precária.
Sabe-se
que a adolescência é uma fase confusa, momento de muitas descobertas e prazeres.
Mas tem revelado também a inconseqüência comportamental. Ser adolescente não é
ser prejudicial, não é ser negativo. Não se pretende denegrir a imagem do
adolescente, mas sim tentar entendê-lo, incentivar a sociedade para que o
compreenda, ajude-o a enxergar além das suas inquietações, contribuindo para que
este, não apenas sinta as transformações, mas saiba o quão normal elas são e que
conviver com tais mudanças não requer invadir o espaço do próximo, até porque
“Os bons hábitos são fundamentais para a realização de atividades harmonizadas
com a excelência porque boas ações precisam fazer parte do nosso dia-a-dia”.
(idem, p.67).
Vale
complementar que, o adolescente vive em sociedade, convive com outros
adolescentes, com crianças, com adultos, idosos. E para tanto, necessita
conhecer regras e normas que pertinentes ao convívio social. É sabido, que não é
uma tarefa fácil conscientizar o ser humano das leis, normas e regras, mas estas
são indispensáveis para que os limites sejam reconhecidos, respeitados e
praticados. Tornam-se importantes para que a moral e ética sejam realmente
vivenciadas.
De
acordo com o PCN (vol. 08, 2001, p.69) O ser humano vive e convive com outros
seres humanos “e, portanto, cabe-lhe pensar e responder a seguinte pergunta:
como deve agir perante os outros? Trata-se de uma pergunta fácil de ser
formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral
e da Ética. Ressalta-se ainda que, no dia em que o homem, o adolescente, a
criança, conseguirem a sua maneira responder a tal questionamento, muita coisa
pode mudar. Se agirem com os outros como desejariam que agissem consigo, com
certeza mudanças seriam significativas; os valores seriam preservados; e a ética
seria melhor, compreendida”.
4. PAPEL DO
PEDAGOGO SOCIAL DIANTE DESSA REALIDADE
A
pedagogia social é uma área que envolve a educação: informal, formal e
não-formal, bem como as relações existentes entre elas. Cabendo ao especialista
da referida área desenvolver habilidades organizacionais que visem administrar
os mais diversos conflitos advindos do trabalho em equipe, da convivência em
grupo e até mesmo lidar com as dúvidas grupais ou individuais; buscando sempre a
valorização e desenvolvimento das pessoas em prol da suas vivências sociais e
melhoria do clima organizacional sejam em empresas ou em instituições, ou em
grupos diferenciados, incluindo os adolescentes.
A ação
pedagógica é ampla e “perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar
formal, abrangendo as esferas mais amplas da educação informal e não formal”,
assim diz Libâneo (2007, p.28).
Contudo, o papel do pedagogo social diante do comportamento por parte dos
adolescentes, durante as sessões de cinema ocorridas no Shopping da região, deve
buscar alternativas que visem desenvolver ações educativas que venham despertar
e incentivar um bom comportamento. Um comportamento que respeite o direito do
outro.
Partindo do pressuposto de que os ambientes de lazer, entretenimento e cultura,
o que inclui o cinema, também são agentes contribuintes educativos. Evidencia-se
que, as sessões de cinema promovidas na cidade pernambucana, deveriam contar com
o apoio de ações por meio de orientações que informem e sensibilizem o público
antes de acessarem o espaço em que são projetados os filmes, fazendo valer a
democracia.
A democracia é um
processo que se constrói historicamente, e se aprimora ao longo do tempo, à
medida que se amplia o poder de participação consciente e efetiva do povo nas
questões que dizem respeito a todos. (MENEZES, Mindé; RAMOS, Wilse (org.)
Coleção Magistério: Proformação, unid. 7, 2002, p. 61).
Mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que, desenvolvam ações que
venham despertar nos adolescentes que freqüentam as sessões, a importância de
fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; a fim de que
conheçam e vivenciem os seus limites e alternativas, facilitando o seu próprio
acesso e inserção no meio social de maneira democrática; podem ser vistas como
responsabilidade do fazer pedagógico social, ou seja, ações a serem adotados
pelo Pedagogo Social.
Os
espaços de lazer e entretenimento são campos “[...] de atividades, com
possibilidades de gerar valores que ampliem o universo de manifestação [...]”.
(Marcellino, 2005, p. 22). Por essa razão, surge a necessidade de intervenções
pedagógicas sociais em locais como esses, para que sejam disponibilizadas
informações que despertem e melhorem a sensibilidade, contribuindo com o
crescimento pessoal e social. Até porque, “Com a descoberta do homem social,
evidencia-se a importância de o homem ser simultaneamente criador e produto de
sua sociedade e cultura”. (Manhães, 2009, p 22).
Cabe
por tanto, ao Pedagogo - Educador Social acrescer ao seu papel de Educador, a
ação de fomentar em cada individuo a importância de questionar a sua própria
realidade social; de rever seus próprios valores morais, sociais e culturais
para que então sejam reavaliadas e aprimoradas determinadas vivências.
Como diz Forquin (1992, p. 37,
apud Fonseca, 2003, p.34), “[...] é preciso reconhecer a autonomia relativa e a
eficácia própria da dinâmica cultural [...] em relação às outras dinâmicas que
coexistem no campo social”. Ou seja, é imprescindível valorizar e questionar
tanto a realidade social quanto as dinâmicas dessa cultura social.
Questionar a realidade social em que está
inserido, estabelecendo relações de diferença e semelhança, mudança e
permanência entre as problemáticas identificadas e as questões vivenciadas por
outros sujeitos, nas múltiplas dimensões da vida coletiva, em outros tempos e/ou
espaços. (PANISSET, 2000).
No
entanto, o ato de questionar a realidade social em especial, a realidade em
foco, se estende tanto aos adolescentes como aos proprietários dos
estabelecimentos. Pois, quando se trata de educação, todos os envolvidos direta
ou indiretamente no processo devem ser mobilizados, caso contrário, a
problemática permanecerá com seus entraves. É cabível, entretanto, enfatizar que
os responsáveis pelos espaços de entretenimento local devem ser alertados para a
importância de se desenvolver ações tais como: distribuição de panfletos
educativos, exposição de cartazes e sinalizações educativas que informem e
incentivem aos freqüentadores do local a zelarem e respeitarem os locais
destinados ao lazer e a descontração. Enfim, contribuam com aprendizagens
significativa e conseqüentemente com o aprimoramento da educação, uma vez que
tanto a aprendizagem, quanto à educação se dão de diferentes maneiras e por toda
a vida.
Aprender é um processo interno que consiste em mudanças
permanentes, que se integram ao comportamento do indivíduo, levando-o a agir
diferentemente em situações novas posteriores. [...] A aprendizagem é um
processo, ou seja, não acontece de uma vez, mas se realiza ao longo da vida do
indivíduo a partir de suas experiências. (SENAC DN, 1997, p. 19)
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A fundamentação discorrida não teve a
pretensão de encontrar culpados com a formação dos nossos jovens, nem apontar
defeitos diante do comportamento de crianças e adolescentes, mas sim despertar a
necessidade de desenvolver atividades de intervenções direcionados ao público
infantil- juvenil, com o intuito de despertar nestes, um novo olhar, uma nova
postura, diante do meio social; como também, incentivar adultos que mantém
contato com esse público jovem e profissionais da área educativa para que passem
a perceber as situações surgidas de formas diferenciadas, com mais cautela,
compromisso, atenção e respeito.
“A vida
humana é uma gradativa tomada de consciência de seu verdadeiro ser, de sua
realidade mais profunda” (SAMPAIO, 2004, p. 46), portanto, fomentar a apoiar o
processo amplo de intervenção educativa não formal e informal é uma alternativa
que pode ser abraçada pelo Pedagogo Social e se estender a outros profissionais
e voluntários que reconheçam a importância de repensar os valores éticos atuais
vivenciados pela sociedade.
Salienta-se, no entanto, que o artigo defendido, deseja desenvolver ações
educativas que venham despertar e incentivar boas posturas comportamentais por
parte dos freqüentadores das sessões de cinema, despertando-os para a
importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; e
ainda mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que desenvolvam ações
que contribuam com o acesso e a inserção de crianças e adolescentes no meio
social.
As
ações informativas educativas por meio de intervenções não devem ser adotadas
apenas pelos cinemas, mas envolver todos os ambientes freqüentados por crianças
e adolescentes, uma vez que, ações dessa natureza podem contribuir com o
repensar de ações e conseqüentemente transformar o modo de agir, fazendo valer
as questões éticas de convivência em grupo e em sociedade.
Registra-se ainda que, levantar questionamentos sobre
a realidade que envolve o comportamento dos adolescentes em sessões de
cinema na cidade pernambucana, no Vale do São Francisco foi de grande valia, uma
vez que o tema despertou interesse por parte de alguns profissionais da área
educativa incluindo a cidade circunvizinha (Juazeiro Bahia) que faz parte do
público freqüentador do cinema local. A professora Rose Mary Rodrigues da Escola Normal de
Juazeiro - BA, responsável pela disciplina Gestão comportamental, onde
trabalha, fortemente a ética, a moral, a preservação do meio ambiente e outros
temas transversais com os alunos adolescentes.
A educadora pretende implantar a idéia neste ano de 2010 por
meio de um projeto que tem como temática: O comportamento de adolescentes em
sessões de cinema numa cidade interiorana do Vale do São Francisco.
A temática do projeto a ser executado, é semelhante ao do
presente artigo, e que por sua vez, podem ser vistos (projeto e artigo) como
desabafo de uma cidadã, mãe e educadora. E a oportunidade da especialização em
Pedagogia Social, veio fortalecer o estudo, o aprofundamento, a construção, o
registro e a divulgação do material (fundamentação teórica), que também é
caracterizada como um tema urgente na sociedade local, ou seja, é um considerado
transversal. Vale ressaltar que os Temas Transversais são decorrentes dos
Parâmetros Curriculares Nacionais e contribuem com a abordagem de problemáticas
sociais.
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*
RÊGO, Raylene. Interdisciplinaridade e Transversalidade, Qual é a diferença? In:
Educação 2010: As mais importantes tendências na visão dos mais importantes
educadores; p.18. Editora Multiverso/ Humana Editorial.
¹* Pós - Graduanda em Pedagogia Social,
pela FINOM; Especialista em Interdisciplinaridade pela FACINTER; Graduada em
Pedagogia pela UPE (Universidade de Pernambuco). Publicações: “Reforço Escolar,
p. 125-127, livro “Educação 2009”; “Interdisciplinaridade e Transversalidade,
qual é a diferença”, p. 17-20, livro
“Educação 2010”, ambos da Humana Editorial/
Multiverso; “Dinâmica em Sala de
Aula: Instrumento da Ação Pedagógica”, 52p. Juazeiro Bahia: Acervo bibliográfico
da UNEB, campus III, CDD 301.114. e-mail:
raylenerego@hotmail.com/ www.raylenerego.blogspot.comComo ser
citado:OLIVEIRA, Raylene
Rêgo Braz Andrade.
O comportamento dos adolescentes
em sessões de cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale
do Rio São Francisco. P@rtes.V.00
p.eletrônica. Julho 2010.
Disponível
em
.
Acesso
em
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