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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Em breve Retomaremos às Postagens



É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhosE para os filhos de nossos filhos
Pense bem!
Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrançaSem a luz que ela traz ja nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homensSe fazendo irmão e
estendendo a mão
Só o amor, muda o que já se fezE a força da paz junta todos outra
vezVenha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Se você for capaz de soltar a sua vozPelo ar, como prece de
criançaDeve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia
e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundoPra trazer perdão e dividir o
pão.
Só o amor, muda o que já se fezE a força da paz junta todos outra
vez
Venha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.A lição pro futuro vem da alma e do coração,Pra
buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.
Se você começar outros vão te acompanharE cantar com harmonia e
esperança.
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundoPra trazer perdão e dividir o
pão.
Só o amor, muda o que já se fezE a força da paz junta todos outra
vez
Venha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Só o amor, muda o que já se fezE a força da paz junta todos outra
vez
Venha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Só o amor, muda o que já se fezE a força da paz junta todos outra
vez
Venha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Venha, já é hora de acender a chama da vidaE fazer a terra inteira
feliz
Inteira feliz ...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Início de Ano Letivo



Tudo novamente!!! Será?
Nada disso!!! É hora de novas
descobertas, novas experiências...
2012 é mais um ano de conquistas e
avanços.

Nós educadores mais
uma vez devemos nos preparar para recebermos e acolhermos as crianças com os mais
diversos sentimentos: incertezas, inseguranças, medos, euforias, alegrias,
expectativas, etc.

Alguns irão conhecer novos amigos, outros reencontrar os amigos por isso a necessidade
de nós adultos, planejarmos ações que tornem Cada momento mais prazeroso que
outro, atentos a inclusão e não ao escanteio.
Algumas dicas:
·
Verificar as fichas dos alunos, observando as informações sobre cada criança.
Diante das fichas o
professor pode coletar alguns pontos que retratam um pouco da história de vida
dos alunos, o que é fundamental para o início de qualquer trabalho tanto de
sondagem como para futuras intervenções.

·
Criar atividades e situações que incentivem a proximidade das crianças
para que estreitem a relação, valorizem o contato. Para tanto, serão necessárias
as brincadeiras livres e alegres, que extrapolem a sala de aula.
·
Preparar a escola para receber também os pais, inclusive deixando a
vontade para visualizarem o ambiente e até observarem algumas atividades
realizadas com as crianças ao menos no primeiro momento, depois liberá-los para
que os alunos se sintam seguros no seu espaço escolar.
·
Elaborar murais coletivos com as crianças referentes ao que vivenciaram
no primeiro dia de aula.
·
Deixar disponíveis materiais e brinquedos para que venham a ser manuseados
pelas crianças e assim o professor possa analisar as preferências das crianças
para elaborarem dinâmicas e atividades reaproveitando o interesse dessas
crianças.
·
Realizar linha ou rodinha com as crianças após essas atividades
exploratórias, porque nesse momento as crianças já tiveram outros tipos de contatos
e consequentemente mais seguras entre si. O momento da linha ou rodinha como
também é conhecida, favorece a conversa informal, a exposição de preferências,
o que pensam, o que sentem, o que gostam, o que não gostam, de maneira tão pura
e natural que só as crianças conseguem sem mascarar nada.
·
Para as ações de acolhida durante a semana de adaptação e readaptação,
se faz necessário, contudo, PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO, ROTEIROS E PORQUE NÃO UM
PROJETO DINÂMICO. .

domingo, 8 de janeiro de 2012

O comportamento dos adolescentes em sessões de cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale do Rio São Francisco

EDUCAÇÃO
O comportamento dos adolescentes em sessões de
cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale do Rio São
Francisco

Raylene Rêgo Braz Andrade
Oliveira*
publicado em 03/07/2010



RESUMO
Neste artigo estão
abordadas questões ligadas, ao comportamento por parte de alguns adolescentes,
telespectadores no cinema de uma cidade localizada no interior de PE. Tópicos
relevantes como o que diz a Lei sobre o adolescente; o que significa
adolescência; e qual o papel do Pedagogo Social diante dessa problemática são
evidenciados. Ressalta-se, contudo que o tema defendido é decorrente da
elaboração de um projeto de intervenção Pedagógica Social, que visa
mobilizar os responsáveis pelo cinema da
região, para que possam desenvolver ações que despertem e incentivem nos
adolescentes, a importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como
os dos outros, a fim de que passem a conhecer e vivenciar os seus limites e
alternativas, facilitando o seu próprio acesso e inserção no meio
social.
Palavras-
chave: Adolescência,
Comportamento, Pedagogo Social.

INTRODUÇÃO

A adolescência é considerada como uma fase que antecede a
etapa adulta. È caracterizada, no entanto, por sub fases que envolvem,
desenvolvimento físico significativo, oscilação no lado emocional, o sentimento
de dúvida entre o amor e o ódio, maturação dos órgãos sexuais (reprodutores),
incertezas diante das
escolhas (dentre elas a profissional); o relacionamento com pessoas (grupos) que
demonstrem as mesmas preferências, demonstram repúdio em relação aos limites
impostos pela família, por considerarem autoritarismo, e muitas outras
caracterizações. Diante dessa realidade, cabe aos adultos tentarem compreender e
orientar os adolescentes cheios de idéias, inovações, medos, incertezas e que se
encontram em constante transformação; porém, compreender não significa ceder a
caprichos, nem se deixar seduzir pelos apelos dos adolescentes, mas sim
refletir, ponderar, decidir de maneira flexível, sem abrir mão dos limites
precisos e necessários à formação do futuro adulto, em especial, do
cidadão.

O presente artigo, no entanto,
visa evidenciar a caracterização de adolescência e do adolescente; envolvendo o
que diz a Lei, dando ênfase ao comportado de alguns adolescentes nos dias
atuais, no cinema da cidade do interior pernambucano no vale do São Francisco.
As fundamentações objetivam, dentre outros, divulgar como os adolescentes têm,
usufruídos seus direitos, e como têm cumprido os seus deveres perante os espaços
que freqüentam e a sociedade de maneira geral.
Contudo, o tema tratado é decorrente de observações
realizadas como telespectadora do cinema local. E na condição de Pós Graduanda
em Pedagogia Social pela FINOM e por realizar trabalhos educativos como
pedagoga; surgiu a necessidade de estudo e aprofundamento sobre a temática,
incluindo o papel do Educador Social frente a essa realidade.


1. ADOLESCÊNCIA X
COMPORTAMENTO.

O termo
adolescência quase sempre é substituído por juventude. E com isso “Podemos
considerar, então, que a adolescência é uma fase típica do desenvolvimento do
jovem de nossa sociedade”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p.
293)
De acordo com Içami Tiba, a Adolescência
“está muito bem definida no desenvolvimento biológico pelo aparecimento dos
pêlos pubianos, resultado da produção dos hormônios sexuais. Ela é marcadamente
em processo biológico”. (2005, p.32).
No
entanto, a adolescência é caracterizada por um período em que o tanto garoto
quanto a garota procuram se afastar dos seus próprios laços afetivos, da sua
família, por preferirem a proximidade dos de colegas, de novos grupos. O
adolescente faz suas próprias escolhas, decide com quem quer andar, que roupa
usar, que lugares e diversões preferem. Contudo, a sua identidade está em
constante movimento e o seu comportamento vai sendo marcado por situações e
ações inusitadas.
A
respeito diz Bock; Furtado; Teixeira (idem, p. 207), “identidade é um processo
de construção permanente, em contínua transformação – desde antes de nascer até
a morte!”.
No que
se refere à identidade como processo em movimento, registra-se que, não só os
adolescentes, mas todos os seres humanos passam por contínuas transformações e
possuem comportamentos que na maioria das vezes caracterizam-se pela sua
interação com o meio. Tais comportamentos de acordo com a psicologia são
classificados como operantes. Portanto, o comportamento operante que também faz
parte da vida do adolescente “inclui todos os movimentos de um organismo dos
quais se possa dizer que, em algum momento, tem efeito sobre ou fazem algo ao
mundo em redor”. (KELLER. 1972, p. 10).
Vale ressaltar que
inexistência de diálogo, da exposição e vivência de valores por parte dos pais
em relação aos filhos contribui muitas vezes com a reprodução de comportamentos
negativos. Os filhos (crianças e adolescentes) por se encontrarem em fase de
imitação do adulto e do outro, acabam por seguir exemplos nada satisfatórios e
contraditórios aos olhos da sociedade em que estão inseridos. A respeito
evidencia-se:
É na adolescência
que o filho lança-se para ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele e socorrê-lo
quando preciso. Também é da responsabilidade educativa dos pais interferir
quando algo não vai bem, sob pena de estar negligenciando a educação”. (IÇAMI
TIBA, 2005, P. 35)

É
cabível evidenciar que a família atual, base de toda a educação, e as
instituições tradicionais também desconhecem ou não desejam assumir o seu papel
educativo. A família hoje, terceiriza a sua responsabilidade de várias maneiras
e com isso o adolescente é a criança que ingressa na escola aos dois anos de
idade. E assim, desde a mais tenra idade, passa mais tempo com pessoas estranhas
e conseqüentemente mais distantes dos laços afetivos familiares.
É
sabido que a convivência com o outro é imprescindível e “que o ser humano só
desenvolve potencialidades em contato com outras pessoas, com o meio social. A
convivência no grupo, por sua vez, só é possível se o indivíduo acatar certas
regras comuns a todos, se for capaz de “abrir mão” de alguns de seus desejos
para ter outros, socialmente aceitos”. (Meksenas, 1994, p. 37). O autor reforça
a idéia de respeito mútuo, de fazer valer os direitos e cumprimento de deveres
individuais.
Não se
pretende com a fundamentação defendida, levantar uma bandeira em prol de
imposições arbitrárias, por meio de regras rígidas para com os nossos
adolescentes, mas sim, levá-los a conhecer limites, “[...] construir o conceito
de patrimônio público, coletivo, tão importante para o exercício da cidadania”.
(PCN, vol. 8, 2001).

O adolescente é
conhecedor de que pode sonhar junto e assim transformar a sociedade. Diante
disso, organiza-se em grupo para enfrentar seus anseios e concretizar idéias.
“Para garantir esse ideal [...], o jovem organiza-se em grupos, como as gangues,
os grupos de punks, os grupos de motoqueiros, os grupos de política estudantil
etc., buscam uma subcultura e uma identidade própria”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA,
idem, p. 301).

Todas as diferenças existentes no
comportamento modelado em sociedade resultam da maneira pela qual os homens
organizam as relações entre si, que possibilitam o estabelecimento das regras de
conduta e dos valores que nortearão a construção da vida social, econômica e
política. (ARANHA, 1993, p. 37)


É
importante registrar que os adolescentes têm necessidades curiosas, vontades
estranhas, comportamentos imediatos, onde realizam antes mesmo de pensarem e a
pressa se revela na vivência de cada momento como se fosse o último de suas
vidas, atropelando regras e a supremacia dos valores. Porém, os responsáveis
por outras instituições que não sejam a família, a igreja, a escola não se
atentam para tal realidade, e acreditam que não é de sua responsabilidade
contribuir com intervenções mesmo que sejam informais. Isso se justifica por
serem adultos que também não tiveram orientação precisa quando eram adolescentes
e hoje desconhecem as melhores formas de lhe darem com os jovens.


2. O ADOLESCENTE: O
QUE DIZ A LEI

A Constituição Federal
(1988), Art.
227 também assegura os direitos do cidadão. E assim
evidencia:
É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, a profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.

De
acordo com o Estatuto da Criança e o Adolescente / ECA, Lei N. 8.069,
“considera-se [...], adolescente aquele entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de
idade”. (Art. 2º). Em seu Artigo 3º consta:

A criança e o adolescente gozam de
todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por
outros meios, todas as oportunidades e facilidade, a fim de lhes facilitar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de
liberdade e dignidade.


Já a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece em seu Art. 1º. que “A
educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na
convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
cultuais”.
De
acordo com Ramiro Marques (2000, p. 55) “A Lei de Bases do Sistema Educativo
recomenda uma educação para a cidadania através da abordagem de temas
transversais, [...]”. Tais temas são vistos como integrantes a todas esferas
educativas: formal, informal, não formal; por serem classificados como temáticas
urgentes sinalizados pela sociedade. Ou seja, os temas transversais estão
ligados “à construção da cidadania por meio de temas da atualidade
[...]*”.

Analisando algumas Leis, entende-se que espaços de entretenimento também são ou
deveriam ser favoráveis à educação do cidadão. Obviamente esses espaços não são
responsáveis pela educação formal
que está ligada a aprendizagem escolar. Mas, sim pela informal que é
caracterizada pelo convívio familiar, com o vizinho, tios, primos, com
diferentes grupos dentre outros e até mesmo por meio da não formal, que se dá de
forma organizada, porém, fora dos âmbitos educacionais. Ou seja, essas
instituições podem abrir espaço para que líderes, facilitadores, educadores da
educação não formal desenvolvam atividades em paralelo ao local de
entretenimento. Ressaltando ainda, que as ações da educação não formal não são
vistas como atitudes de padronização de hábitos e de conduta, nem como ações de
rigidez, de exigência, ou modelo a ser seguido. Mas sim, como alternativa de
conscientização, de valorização a si próprio e ao outro. Para melhor compreensão
registra-se:

A educação formal compreenderia instâncias
de formação, escolares [...], onde há objetivos educativos explícitos e uma ação
intencional institucionalizada, estruturada, sistemática. [...] A educação
informal corresponderia a ações e influências exercidas pelo meio, pelo ambiente
sócio cultural, e que se desenvolve por meio das relações dos indivíduos e
grupos com seu ambiente humano, social, ecológico, físico e cultural das quais
resultam conhecimentos, [...], mas que não [...] são intencionais e organizas. A
educação não formal seria realizada em instituições educativas fora dos marcos
institucionais, mas com certo grau de sistematização estruturação ¹.

Diante da citação exposta, compreende-se que espaços como
teatros e cinemas podem ser utilizados como auxiliares educativos informais e
não formais. Podem enquadrar-se como locais que possibilitam o desenvolvimento
moral e social, em condições de liberdade, e assim estará colocando em prática
parte do Art. 2º do ECA, já citado anteriormente.


3. O ADOLESCENTE COMO TELESPECTADOR NO
CINEMA DE UMA CIDADE INTERIORANA DO VALE DO SÃO FRANCISCO

O
cinema do Vale do são Francisco assim como outros atende a diversos públicos por
meio de programações pertinentes a cada faixa etária. No entanto, parte do
público adolescente que freqüenta o local, vem desrespeitando o direito dos
demais telespectadores, ao fazer uso de palavrões, gritarias, guerrinhas com
sacos de pipoca amassados, dentre outros.
“E o
que diferencia o homem de todos os outros seres do mundo é a capacidade de
buscar incessantemente, com base na virtude, na excelência, fazer melhor a vida
dos outros”, diz Chalita (2009, p.36). Porém, esse diferencial humano, vem se
revelando distante da realidade vivida por parte de alguns adolescentes da nossa
região. E a comprovação da afirmativa se dá exatamente no ato de levar as
crianças hoje ao cinema local, porque acabamos disponibilizando aos seus
ouvidos, um vocabulário chulo e antiético, distanciando os valores morais que
contribuem com o exercício da cidadania. Assistir a um filme hoje, estendido ao
público infantil se tornou um tormento na cidade do interior de Pernambuco, uma
vez que nos deparamos com adolescentes desconhecedores do senso ético, e para
completar, o ar condicionado vem apresentando refrigeração
precária.
Sabe-se
que a adolescência é uma fase confusa, momento de muitas descobertas e prazeres.
Mas tem revelado também a inconseqüência comportamental. Ser adolescente não é
ser prejudicial, não é ser negativo. Não se pretende denegrir a imagem do
adolescente, mas sim tentar entendê-lo, incentivar a sociedade para que o
compreenda, ajude-o a enxergar além das suas inquietações, contribuindo para que
este, não apenas sinta as transformações, mas saiba o quão normal elas são e que
conviver com tais mudanças não requer invadir o espaço do próximo, até porque
“Os bons hábitos são fundamentais para a realização de atividades harmonizadas
com a excelência porque boas ações precisam fazer parte do nosso dia-a-dia”.
(idem, p.67).
Vale
complementar que, o adolescente vive em sociedade, convive com outros
adolescentes, com crianças, com adultos, idosos. E para tanto, necessita
conhecer regras e normas que pertinentes ao convívio social. É sabido, que não é
uma tarefa fácil conscientizar o ser humano das leis, normas e regras, mas estas
são indispensáveis para que os limites sejam reconhecidos, respeitados e
praticados. Tornam-se importantes para que a moral e ética sejam realmente
vivenciadas.
De
acordo com o PCN (vol. 08, 2001, p.69) O ser humano vive e convive com outros
seres humanos “e, portanto, cabe-lhe pensar e responder a seguinte pergunta:
como deve agir perante os outros? Trata-se de uma pergunta fácil de ser
formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral
e da Ética. Ressalta-se ainda que, no dia em que o homem, o adolescente, a
criança, conseguirem a sua maneira responder a tal questionamento, muita coisa
pode mudar. Se agirem com os outros como desejariam que agissem consigo, com
certeza mudanças seriam significativas; os valores seriam preservados; e a ética
seria melhor, compreendida”.


4. PAPEL DO
PEDAGOGO SOCIAL DIANTE DESSA REALIDADE

A
pedagogia social é uma área que envolve a educação: informal, formal e
não-formal, bem como as relações existentes entre elas. Cabendo ao especialista
da referida área desenvolver habilidades organizacionais que visem administrar
os mais diversos conflitos advindos do trabalho em equipe, da convivência em
grupo e até mesmo lidar com as dúvidas grupais ou individuais; buscando sempre a
valorização e desenvolvimento das pessoas em prol da suas vivências sociais e
melhoria do clima organizacional sejam em empresas ou em instituições, ou em
grupos diferenciados, incluindo os adolescentes.
A ação
pedagógica é ampla e “perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar
formal, abrangendo as esferas mais amplas da educação informal e não formal”,
assim diz Libâneo (2007, p.28).

Contudo, o papel do pedagogo social diante do comportamento por parte dos
adolescentes, durante as sessões de cinema ocorridas no Shopping da região, deve
buscar alternativas que visem desenvolver ações educativas que venham despertar
e incentivar um bom comportamento. Um comportamento que respeite o direito do
outro.

Partindo do pressuposto de que os ambientes de lazer, entretenimento e cultura,
o que inclui o cinema, também são agentes contribuintes educativos. Evidencia-se
que, as sessões de cinema promovidas na cidade pernambucana, deveriam contar com
o apoio de ações por meio de orientações que informem e sensibilizem o público
antes de acessarem o espaço em que são projetados os filmes, fazendo valer a
democracia.

A democracia é um
processo que se constrói historicamente, e se aprimora ao longo do tempo, à
medida que se amplia o poder de participação consciente e efetiva do povo nas
questões que dizem respeito a todos. (MENEZES, Mindé; RAMOS, Wilse (org.)
Coleção Magistério: Proformação, unid. 7, 2002, p. 61).


Mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que, desenvolvam ações que
venham despertar nos adolescentes que freqüentam as sessões, a importância de
fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; a fim de que
conheçam e vivenciem os seus limites e alternativas, facilitando o seu próprio
acesso e inserção no meio social de maneira democrática; podem ser vistas como
responsabilidade do fazer pedagógico social, ou seja, ações a serem adotados
pelo Pedagogo Social.
Os
espaços de lazer e entretenimento são campos “[...] de atividades, com
possibilidades de gerar valores que ampliem o universo de manifestação [...]”.
(Marcellino, 2005, p. 22). Por essa razão, surge a necessidade de intervenções
pedagógicas sociais em locais como esses, para que sejam disponibilizadas
informações que despertem e melhorem a sensibilidade, contribuindo com o
crescimento pessoal e social. Até porque, “Com a descoberta do homem social,
evidencia-se a importância de o homem ser simultaneamente criador e produto de
sua sociedade e cultura”. (Manhães, 2009, p 22).
Cabe
por tanto, ao Pedagogo - Educador Social acrescer ao seu papel de Educador, a
ação de fomentar em cada individuo a importância de questionar a sua própria
realidade social; de rever seus próprios valores morais, sociais e culturais
para que então sejam reavaliadas e aprimoradas determinadas vivências.
Como diz Forquin (1992, p. 37,
apud Fonseca, 2003, p.34), “[...] é preciso reconhecer a autonomia relativa e a
eficácia própria da dinâmica cultural [...] em relação às outras dinâmicas que
coexistem no campo social”. Ou seja, é imprescindível valorizar e questionar
tanto a realidade social quanto as dinâmicas dessa cultura social.

Questionar a realidade social em que está
inserido, estabelecendo relações de diferença e semelhança, mudança e
permanência entre as problemáticas identificadas e as questões vivenciadas por
outros sujeitos, nas múltiplas dimensões da vida coletiva, em outros tempos e/ou
espaços. (PANISSET, 2000).

No
entanto, o ato de questionar a realidade social em especial, a realidade em
foco, se estende tanto aos adolescentes como aos proprietários dos
estabelecimentos. Pois, quando se trata de educação, todos os envolvidos direta
ou indiretamente no processo devem ser mobilizados, caso contrário, a
problemática permanecerá com seus entraves. É cabível, entretanto, enfatizar que
os responsáveis pelos espaços de entretenimento local devem ser alertados para a
importância de se desenvolver ações tais como: distribuição de panfletos
educativos, exposição de cartazes e sinalizações educativas que informem e
incentivem aos freqüentadores do local a zelarem e respeitarem os locais
destinados ao lazer e a descontração. Enfim, contribuam com aprendizagens
significativa e conseqüentemente com o aprimoramento da educação, uma vez que
tanto a aprendizagem, quanto à educação se dão de diferentes maneiras e por toda
a vida.
Aprender é um processo interno que consiste em mudanças
permanentes, que se integram ao comportamento do indivíduo, levando-o a agir
diferentemente em situações novas posteriores. [...] A aprendizagem é um
processo, ou seja, não acontece de uma vez, mas se realiza ao longo da vida do
indivíduo a partir de suas experiências. (SENAC DN, 1997, p. 19)


CONSIDERAÇÕES
FINAIS

A fundamentação discorrida não teve a
pretensão de encontrar culpados com a formação dos nossos jovens, nem apontar
defeitos diante do comportamento de crianças e adolescentes, mas sim despertar a
necessidade de desenvolver atividades de intervenções direcionados ao público
infantil- juvenil, com o intuito de despertar nestes, um novo olhar, uma nova
postura, diante do meio social; como também, incentivar adultos que mantém
contato com esse público jovem e profissionais da área educativa para que passem
a perceber as situações surgidas de formas diferenciadas, com mais cautela,
compromisso, atenção e respeito.
“A vida
humana é uma gradativa tomada de consciência de seu verdadeiro ser, de sua
realidade mais profunda” (SAMPAIO, 2004, p. 46), portanto, fomentar a apoiar o
processo amplo de intervenção educativa não formal e informal é uma alternativa
que pode ser abraçada pelo Pedagogo Social e se estender a outros profissionais
e voluntários que reconheçam a importância de repensar os valores éticos atuais
vivenciados pela sociedade.

Salienta-se, no entanto, que o artigo defendido, deseja desenvolver ações
educativas que venham despertar e incentivar boas posturas comportamentais por
parte dos freqüentadores das sessões de cinema, despertando-os para a
importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; e
ainda mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que desenvolvam ações
que contribuam com o acesso e a inserção de crianças e adolescentes no meio
social.
As
ações informativas educativas por meio de intervenções não devem ser adotadas
apenas pelos cinemas, mas envolver todos os ambientes freqüentados por crianças
e adolescentes, uma vez que, ações dessa natureza podem contribuir com o
repensar de ações e conseqüentemente transformar o modo de agir, fazendo valer
as questões éticas de convivência em grupo e em sociedade.

Registra-se ainda que, levantar questionamentos sobre
a realidade que envolve o comportamento dos adolescentes em sessões de
cinema na cidade pernambucana, no Vale do São Francisco foi de grande valia, uma
vez que o tema despertou interesse por parte de alguns profissionais da área
educativa incluindo a cidade circunvizinha (Juazeiro Bahia) que faz parte do
público freqüentador do cinema local. A professora Rose Mary Rodrigues da Escola Normal de
Juazeiro - BA, responsável pela disciplina Gestão comportamental, onde
trabalha, fortemente a ética, a moral, a preservação do meio ambiente e outros
temas transversais com os alunos adolescentes.
A educadora pretende implantar a idéia neste ano de 2010 por
meio de um projeto que tem como temática: O comportamento de adolescentes em
sessões de cinema numa cidade interiorana do Vale do São Francisco.
A temática do projeto a ser executado, é semelhante ao do
presente artigo, e que por sua vez, podem ser vistos (projeto e artigo) como
desabafo de uma cidadã, mãe e educadora. E a oportunidade da especialização em
Pedagogia Social, veio fortalecer o estudo, o aprofundamento, a construção, o
registro e a divulgação do material (fundamentação teórica), que também é
caracterizada como um tema urgente na sociedade local, ou seja, é um considerado
transversal. Vale ressaltar que os Temas Transversais são decorrentes dos
Parâmetros Curriculares Nacionais e contribuem com a abordagem de problemáticas
sociais.


REFERÊNCIAS
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uma introdução ao estudo de psicologia. 13ª ed. São Paulo: Saraiva,
2001.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução, vol. 8/
Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3ed. Brasília: A
Secretaria, 2001.
BRASIL. Constituição Federal da República
Federativa 1988. São Paulo: Saraiva, 2009.
BRASIL. Estatuto da Criança e do
Adolescente – ECA /Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Ministério da
Educação, Assessoria de Comunicação Social.Brasília: MEC,
ACS,2005.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional – LDB: Lei Nº 9.394/96/ Diário Oficial da União, de
23.12.1996. Recife- PE: R.C. Editora, 1997.
CHALITA, Gabriel. Os dez mandamentos da Ética. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Sem Fronteiras, 2009.
FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de História:
experiências, reflexões e aprendizados. Campinas, SP: Papirus, 2003.

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LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei N º 9.394, de
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(Organização, Seleção e Índice: Edmir Régis). Recife: R. C. Editora.
1997.
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e
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MANHÃES, Henrique. A Prática Pedagógica:
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MARCELLINO, Nelson
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(ensino médio): parte IV - Ciências Humanas e suas Tecnologias Orientações
Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Brasília,
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SAMPAIO, Dulce
Moreira. A Pedagogia do Ser: Educação dos sentimentos e dos valores
humanos. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.
SENAC DN. O
Processo ensino - aprendizagem./ Beatriz Maria A. de A. Pinheiro; Maria
Helena B. Gonçalves. Rio de Janeiro: Ed.Senac Nacional, 1997. 80 p.
TIBA, Içami.
Adolescentes: quem ama educa! São Paulo: Integrare Editora,
2005.


¹ LIBÂNEO, Carlos José. Pedagogia e
Pedagogos, para quê? Editora Cortez, 2007, p. 31.
*
RÊGO, Raylene. Interdisciplinaridade e Transversalidade, Qual é a diferença? In:
Educação 2010: As mais importantes tendências na visão dos mais importantes
educadores; p.18. Editora Multiverso/ Humana Editorial.


¹* Pós - Graduanda em Pedagogia Social,
pela FINOM; Especialista em Interdisciplinaridade pela FACINTER; Graduada em
Pedagogia pela UPE (Universidade de Pernambuco). Publicações: “Reforço Escolar,
p. 125-127, livro “Educação 2009”; “Interdisciplinaridade e Transversalidade,
qual é a diferença”, p. 17-20, livro
“Educação 2010”, ambos da Humana Editorial/
Multiverso; “Dinâmica em Sala de
Aula: Instrumento da Ação Pedagógica”, 52p. Juazeiro Bahia: Acervo bibliográfico
da UNEB, campus III, CDD 301.114. e-mail: raylenerego@hotmail.com/ www.raylenerego.blogspot.com

Como ser
citado:OLIVEIRA, Raylene
Rêgo Braz Andrade.
O comportamento dos adolescentes
em sessões de cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale
do Rio São Francisco. P@rtes.V.00
p.eletrônica. Julho 2010.
Disponível
em
.
Acesso
em
_/_/_.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Pedagogo em Ação

Fonte:
http://www.webartigos.com/artigos/o-pedagogo-em-acao/35681/

Autoria: Jose Francisco de Sousa: Pedagogo, Historiador, Teologo, Administrador, Especialista em Docência do Ensino Superior, Psicodrama, Pedagogia Hospitalar, Educação Ambiental,Mestre em Educação, Doutor em História (Unileon-Espanha),Doutorando em Psicologia pela PUC-GO

Resumo: Esta pesquisa se destinou a analisar o trabalho do Pedagogo em espaço não escolar. A importância desse tema advém das novas atuações do Pedagogo em espaços não escolares, abrindo o leque para que outros pedagogos se interessem por esse trabalho. A atuação de um Pedagogo nesse espaço contribui na formação das crianças porque se julga ter conhecimento para suportar as fases da criança e suas contínuas mudanças, seu desenvolvimento cognitivo, psicomotor e social. Palavras chaves: Pedagogo social, Programa social, atuação do pedagogo, história da pedagogia.
1-Introdução
O Objetivo dessa pesquisa foi analisar o trabalho do Pedagogo Social no Programa Esportivo Social e Cidadania do Serviço Social do Comércio (SESC), buscando conhecer seus desafios, limitações e oportunidades. A pesquisa teve por objetivo geral: Analisar o trabalho do pedagogo dentro de programas sociais e refletir sobre as possibilidades existentes para ele nesse espaço .Os objetivos específicos foram: Verificar a atuação do Pedagogo com as crianças; Refletir sobre a formação do Pedagogo e as suas práticas dentro do Programa; Verificar a importância do Pedagogo nas ações desenvolvidas nos programas sociais. Esta pesquisa analisou o trabalho do pedagogo no Programa Esportivo Social e Cidadania (PESC) caracterizando-se como um "estudo de caso".O instrumento utilizado para coleta de informações foi o questionário estruturado que foi aplicado ao coordenador, à coordenadora pedagógica, pedagogos e à equipe de trabalho envolvida no programa que permitiu a coleta de dados de forma ágil.A metodologia de estudo de caso foi escolhida a fim de destacar possibilidades e desafios no dia-a-dia de um pedagogo inserido em contexto de programa social. O capítulo seguinte aborda os autores que contribuíram com este tema.
2- O Pedagogo e as Pedagogias
Segundo Aranha (2006), pedagogo era o escravo que conduzia as crianças à escola. Nesta época a Educação para meninos era diferente da educação oferecida às meninas. As meninas eram instruídas aos afazeres domésticos, os meninos eram separados para alfabetização, educação física e musical eles sempre eram conduzidos por um escravo. Werner Jaeger (s/d) conceitua pedagogo de acordo com sua etimologia. Entende que pedagogo vem de Paidagogos que significa "aquele que conduz a criança". Acrescenta ainda que, é com base no surgimento do Pedagogo que surge a Paidéia, um termo criado na Grécia, por volta do século V a.C. E hoje, definido por Ramal (2002), temos o Pedagogo como um profissional ou especialista em pedagogia que começa a assumir um novo perfil atuando de uma forma muito mais importante, como uma espécie de arquiteto cognitivo, que projeta os caminhos que os estudantes deverão percorrer rumo à aprendizagem de sucesso, cabendo a ele ser um dinamizador de grupos, responsável não mais por formar alunos isoladamente, mas por constituir comunidades de aprendizagem capazes de desenvolver projetos em conjunto, se comunicar e aprender colaborativamente.Segundo Aranha (2006), Herbart trouxe grande contribuição para a Pedagogia como ciência. Ele desenvolveu uma pedagogia social e ética com a finalidade de formar o caráter moral por meio do esclarecimento da vontade, alcançado pela instrução.
Para Herbart (1978) a conduta pedagógica acontece por meio de três procedimentos: Governo forma de controle da agitação infantil a fim de submeter à criança às regras do mundo adulto; Instrução: Compreendida como construção da instrução moral e intelectual; e Disciplina: que supõe a autodeterminação do amadurecimento moral.
Herbart foi o primeiro a elaborar uma pedagogia que pretendia ser uma ciência da Educação. Tem-se, até aqui, a pedagogia no espaço escolar. Sabe-se, porém, que os avanços tecnológicos, social e da ciência têm contribuído para a ampliação da atuação do pedagogo em espaços não escolares. Para compreender a atuação do pedagogo em ·programa social é preciso primeiro entender que o campo de atuação do pedagogo tem sido ampliado permitindo que o mesmo exerça sua função em espaços não escolares como em empresas, hospitais e ONGs. Para Nobre (2007), desde sempre o pedagogo tem se caracterizado como profissional responsável pela docência e especialidades na educação. Para ela é importante contemplar as possibilidades de atuação desses profissionais em outros setores do trabalho, qualificação para atuarem no âmbito empresarial, visando os processos de planejamento, capacitação, treinamento, atualização e desenvolvimento do corpo funcional da empresa tendo tais atribuições como foco da Pedagogia Empresarial. Já para Holtz (1999), tanto a empresa como a Pedagogia agem em direção a realização de ideais e objetivos definidos, no trabalho de provocar mudanças no comportamento das pessoas. Esse processo de mudança provocada, em direção a um objetivo, chama-se aprendizagem. E aprendizagem é a especialidade da Pedagogia e do Pedagogo.Ceroni (2006) discute o trabalho do Pedagogo em espaços não escolares, especialmente em ONGS e traz um pensar nas políticas educacionais no Brasil, na responsabilidade de um comprometimento com a qualidade social voltada para a cidadania e para a inclusão; e propiciar aos pedagogos a compreensão de sua capacidade profissional e o desenvolvimento de competências em ambientes que extrapolem as unidades escolares e ainda, aumentem suas áreas de atuação, para que se tornem cada vez mais empregáveis.
As ONGs trabalham como associações sem fins lucrativos, que desenvolvem ações em diferentes áreas. Algumas instituíções exercem trabalhos como estes, temos, por exemplo, a Fundação Itau, onde o pedagogo exerce o papel de educador e na área da saúde. Já na Obra Social Dom Bosco o foco é um aperfeiçoamento da sociedade através da educação. Mattos e Muggiati (2001) apontam possibilidades para a realização da prática da Pedagogia em hospitais.
O Pedagogo seria um mediador entre o paciente, família e o hospital. Para elas, a Pedagogia nesse campo oferece à criança hospitalizada, ou em longo tratamento hospitalar, a valorização de seus direitos à educação e à saúde, como também ao espaço que lhe é devido enquanto cidadão do amanhã. Já para Ceccim (1999), a classe hospitalar, como atendimento pedagógico educacional, deve apoiar-se em propostas educativo escolares, e não em propostas de educação lúdica, educação recreativa ou de ensino para a saúde.Na Idade Moderna, Comenius pregava a necessidade da interdisciplinaridade, afetividade do educador, ambiente arejado, bonito e com espaços livres e ecológicos. Segundo ele a formação do homem seria religiosa, social, político, racional, afetiva e moral, deixando de ser aprendida apenas em espaços escolares. Assim, o importante seria "ensinar tudo a todos" e não só o que era importante para a escola, mas para a vida. (Comenius, 1997).Temos estudos recentes e aprofundados que apontam a atuação do pedagogo em Programa Social. E no tópico a seguir veremos com mais clareza o que eles dizem a esse respeito.
3- A Pedagogia SocialArmani (2000, p. 18) define que "Um projeto é uma ação social planejada, estruturada em objetivos, resultados e atividades, baseados em uma quantidade limitada de recursos e de tempo". Geralmente os Programas sociais visam transformação social e devem ser contextualizados. Para Stephanou (2005) "Os programas sociais estão sempre interagindo, através de diferentes modalidades de relação, com políticas e programas voltados para o desenvolvimento social". (p. 15)Com vimos, Herbart desenvolveu uma pedagogia voltada ao indivíduo e na sua época, a psicologia era tratada individualmente. Uma realidade que foi mudada quando a psicologia deu importância ao grupo e ao social. Foi entre as décadas de 20 e 30 que o psicólogo romeno naturalizado norte-americano Levy Jacob Moreno trouxe propostas interessantes para se aplicarem aos pequenos grupos humanos. Ele propunha tratar a sociedade através de um Projeto por ele denominado de Sociatria (Tratamento da sociedade), esse projeto envolvia o Psicodrama (mente em ação) e tinha por finalidade melhorar o relacionamento entre os homens e gerar harmonia entre os grupos de convivência. (ALMEIDA, 1990).
Para se desenvolver é preciso que o ser humano se relacione possibilitando seu crescimento físico, emocional, espiritual e social. Nesse processo de relacionamento é também desenvolvida a comunicação e a partir de então a formação de agrupamentos que terá início no grupo familiar passando pelo grupo escolar, de ruas, da universidade, do ambiente de trabalho, enfim, da vida. Grupo é definido por Almeida (1990) como um aglomerado de pessoas reunidas girando em torno de preocupações cotidianas. Para ele, o psicodrama foi criado em 1921 por J. L. Moreno, com o interesse pelas atividades grupais e se trata de uma das alternativas de tratamento mais amplas e acessíveis à população e propõem a ajudar as pessoas nas inter-relações com os outros.Nesse sentido, Warat (2004) considera que a vivência de práticas sociais como a que compreende o pano de fundo deste trabalho, propiciam ao participante a oportunidade de formar sua subjetividade e buscar o exercício de seus direitos de forma pacífica ampliando a compreensão de mundo e de si mesmo.Para compreender melhor o trabalho do pedagogo social vejamos a sua atuação em um programa social, objeto de estudo desta pesquisa, que tem como objetivo mostrar que a atuação do pedagogo não restringe a apenas ao espaço escolar formal, mas em todas as áreas do conhecimento.
4- O Pedagogo Social atuando em um Programa Social: Um Estudo de Caso no SESC do Guará I.
Segundo dados do site do Serviço Social do Comércio - SESC ele é uma Instituição de direito privado, de âmbito nacional, criada em 1946, mantida por contribuição social de caráter compulsório, incidente sobre a folha de pagamento das empresas do Setor de Comércio, Serviços e Turismo. Tem como missão contribuir para o bem-estar dos empregados do Setor, em especial daqueles de menor poder aquisitivo, por meio do atendimento de suas necessidades nas áreas de educação, saúde, alimentação, cultura, ação social, turismo, esporte e lazer e, em caráter complementar, atender os segmentos sociais mais carentes e vulneráveis da sociedade. Suas ações são revestidas de forte conteúdo educativo, informativo e transformador, que estimulam os indivíduos a buscar a melhoria de suas condições de vida pela adoção de hábitos, práticas e comportamentos que assegurem o desenvolvimento pessoal e a cidadania.O PESC (Programa Esportivo Social e cidadania) é de cunho social e esportivo custeado pelo SESC-DF e apoiado por parcerias firmadas com escolas da rede pública de ensino, empresas e institutos do Distrito Federal.
O PESC direciona-se ao atendimento gratuito de crianças em situação de vulnerabilidade social, nas faixas etárias entre 07 e 12 anos matriculadas em escolas de rede pública das cidades do Gama, Cidade Estrutural e Taguatinga Sul. Esses estudantes recebem atendimento nas Unidades do SESC, usufruindo da infra-estrutura de lazer, esporte, cultura, saúde, educação e assistência por três vezes na semana, no contra turno do horário escolar.As crianças são selecionadas em escolas de cidades que tenham proximidade com as unidades operacionais do SESC-DF com menor nível de renda do DF e que apresentem problemas de infra-estrutura urbana, além de poucas possibilidades de assistência em saúde, esporte, lazer, educação complementar e demais áreas de atuação, das quais o SESC-DF tem totais condições de disponibilizar seus recursos para contribuir com a melhora da qualidade de vida dessas crianças.Todas as crianças passam por avaliações individuais no primeiro mês de atividade, sendo elas, avaliação física e médica, nutricional, odontológica, sócio-econômica e pedagógica.
Cada avaliação é feita por um profissional da área específica. São desenvolvidas atividades esportivas, reforço pedagógico por meio do desenvolvimento de temas transversais e apoio às atividades escolares, alimentação, ações de saúde, consultas odontológicas, atividades recreativas, de lazer, culturais e turismo civil/ ecológico.
O Programa (PESC) na unidade do SESC-DF Guará I, conta com uma equipe que envolve profissionais das áreas de Educação Física (aluno do curso na função de ministrar aulas com supervisão), Pedagogia (aluno do curso com a função de ministrar aulas com supervisão), Assistência Social, Coordenador do Programa, funcionários que assistem ao Programa sempre que necessário.
A supervisão feita aos alunos de Pedagogia e Educação física acontece por meio de acompanhamento de um profissional já formado. No caso do curso de Pedagogia acontece reunião mensal com todos os alunos do curso e o Pedagogo para orientação e supervisão do trabalho desempenhado durante o mês no Programa.Como educadora senti necessidade de conhecer melhor o trabalho do pedagogo em programa social. Para isso, foi realizado um estudo de caso desse programa social por meio de um questionário com a equipe que o atende e que é composta por dois professores de Educação Física, um auxiliar administrativo, o coordenador do programa nesta unidade, duas pedagogas e uma coordenadora pedagógica que orienta a equipe que atuam nele. O questionário aplicado foi entregue aos entrevistados, e à medida que eram respondidos, nos eram entregues para análise dos dados ali contidos. Foram distribuídos onze questionários tendo como retorno apenas nove. Procuramos investigar a função de cada um dentro do programa.H.S. L(32), casado, Católico, residente na Ceilândia, professor de Educação Física com 12 anos de experiência profissional, atua como coordenador técnico do programa e exerce a função de planejar e executar ações administrativas, relatórios e interfaces entre as áreas de educação, saúde, nutrição e lazer. T.S.R (21), solteira, estudante de Educação Física, católica residente no Guará, atua como professora desta disciplina, "ensinando o respeito entre todos e habilidades motoras". A.R.P (27), solteiro, evangélico, residente no Guará, exerce a função de apoio e auxiliar administrativo da instituição. T.R.M (23), solteira, católica, residente no Lúcio Costa, estudante de educação física, atua como professora de educação física e exerce a função de preparar atividades físicas que desenvolva a motricidade e habilidades motoras das crianças.Perguntamos se para eles existia interdisciplinaridade entre a equipe. A resposta foi unânime que existia a interdisciplinaridade e as justificativas foram: para H.S.L (32), "existe pois depois de seu ingresso no projeto a equipe passou a se organizar e planejar atividades em conjunto". A.R.P (27) acredita que exista mas não justificou. Para T.S.R (21) e T.R.M (23) ela existe pelo fato, de educação física e pedagogia trabalharem em conjunto os mesmos temas nas aulas aplicadas. Percebemos que os profissionais que estão a frente do trabalho e exercem um papel específico dentro do programa, sentem a existência da interdisciplinaridade, porém, o profissional que lida com o apoio ao programa não justificou a resposta, o que indica o desconhecimento em relação à ministração das disciplinas.
Outra questão abordada no questionário da equipe foi com relação às limitações do programa com relação ao pessoal, material e apoio. H.S.L (32) acredita que falta acompanhamento dos resultados que se perderam ao longo do programa, já o material possui orçamento e o apoio da unidade poderia ser melhor. Para A.R.P (27) o apoio é bom e alcança as pessoas. Segundo T.S.R (21) há limitações em relação ao material, pois há uma demora para o recebimento das verbas. Já para T.R.M (23) a limitação do programa está na questão de faltar uma quadra poliesportiva para a execução de atividades com as crianças uma vez que fica limitada a execução das aulas apenas nas quadras de areia. Para a equipe o programa ainda está em processo e isso mostra que ainda existem limitações a ser superadas.
Para ela o apoio pode ser revisto e ampliado e a liberação do material deve ser feita com maior agilidade, o que facilitará e contribuirá para bom andamento do programa.Para responder sobre a limitação da própria equipe do programa, H.S.L (32) diz que no último mês a maior dificuldade era reunir a equipe o que inviabilizava algumas informações, mas salienta que a equipe é bem unida. A.R.P (27) não respondeu essa pergunta. Para T.S.R (21) a maior limitação parte do cargo superior no que tange a burocracia interna para a resolução dos problemas, que acabam sendo resolvidos pela própria equipe. Já T.R.M (23) acredita que a falta de recurso para se desenvolver mais atividades com as crianças acaba limitando a equipe. Essa pergunta obteve diversas respostas por se tratar da visão que cada um tem sobre suas limitações e sobre as limitações da equipe em geral. As limitações vão desde a dificuldade de reunir a equipe, burocracia para a resolução dos problemas e limitações geradas por alguns recursos que a profissional julgou sentir falta. Concluindo o questionário com a equipe, procuramos saber deles qual a importância do pedagogo em programa social. Todos acreditam ser importantíssima a presença de um pedagogo dentro desse espaço. A seguir temos a justificativa dessa opinião. H.S.L (32) acredita ser assim pelo fato de que para conduzir qualquer programa o indivíduo tem que ser considerado na sua totalidade: educação (onde precisa do pedagogo e todo seu conhecimento), físico e saúde. Para A.R.P (27) além de ensinar, os pedagogos aprendem com a vida de cada criança. T.R.M (23) diz acreditar nessa importância pela capacidade que o pedagogo tem de ensinar da melhor forma aos alunos. Por fim, segundo T.S.R (21) é importante pois o pedagogo dá base para a estrutura de uma criança.
Diz ainda que nesse programa, os temas transversais discutidos entre professores e alunos tornam-se essenciais na vida deles.Através das respostas da equipe podemos perceber que os profissionais estão ainda despreparados para falar sobre a atuação do pedagogo nesse espaço. Dá-se ao fato, de ser ainda a saída do pedagogo da área escolar, um processo embrionário. Não é preciso ir muito longe para se deparar com perguntas como: qual sua função como pedagogo dentro desta instituição, o que é pedagogia e qual é o trabalho exercido pelo pedagogo? Essas dúvidas permeiam espaço não escolar e abrem as portas para esta pesquisa.Uma vez que o nosso foco é analisar o papel do pedagogo em programa social vamos enfatizar as respostas dos pedagogos, que a seguir responderão nosso questionário específico para conhecermos como eles desenvolvem o trabalho nesse programa social.O questionário aplicado aos pedagogos do programa se difere do questionário aplicado à equipe, por julgarmos que as informações a serem analisadas seguiam outras vertentes.
O questionário foi respondido por duas estudantes de pedagogia que atuam como professoras no programa e a coordenadora pedagógica que acompanha o trabalho realizado por elas.Assim temos, R.F.F.A (28), casada, católica, residente no Guará, estudante de pedagogia com 3 anos de experiência em educação infantil e atua como professora no período matutino desse programa. A.J.M (25), solteira, cristã evangélica, residente no Guará, estudante de pedagogia, e que atua como professora do período vespertino. M.B.D.S (41) Casada,mãe de dois filhos, Cristã, Coordenadora pedagógica com sete anos de experiência, residente na Asa Norte. Procuramos investigar qual a preparação para exercer o papel de pedagogo dentro desse programa social.
Segundo R.F.F.A (28) ela teve um pouco de dificuldade em trabalhar no programa por falta de um coordenador pedagógico dentro da unidade,desde o início, tendo em vista que essa era a sua primeira experiência em programa social, mas com o passar do tempo ela conseguiu se adaptar e perceber as necessidades das crianças e assim foi desenvolvendo o trabalho. Para A.J.M (25) a preparação para exercer esse trabalho seguia duas vertentes a primeira foi uma disciplina que cursou em sua graduação que superficialmente estudou a atuação do pedagogo em espaços não escolares. E a segunda a sua experiência em trabalhos voluntários realizados junto ás Igrejas, onde trabalhava aspectos formativos com as crianças. M.B.D.S (41) diz que sua preparação são os cursos pedagógicos e as próprias disciplinas que cursou na graduação, pós-graduaçãoe mestrado. A segunda pergunta que fizemos foi se na faculdade foi cursado alguma disciplina ou estágio que desse base para esse trabalho. Para R.F.F.A (28) nesse semestre ela está cursando uma disciplina "Educação em espaços não escolares", mas outras disciplinas como literatura, didática, dentre outras trazem um pouco de contribuição apesar de ser na prática que adquirimos e ampliamos conhecimentos. Segundo A.J.M (25) não cursou uma disciplina e nem um estágio específico, somente uma aula teórica sobre a pedagogia social. M.B.D.S (41)diz ter cursado mas não justificou a resposta.A terceira pergunta foi qual a metodologia, conteúdo e avaliação realizada no programa. R.F.F.A (28) e A.J.M (25) trabalham os temas transversais dos PCNs do MEC, por meio de debates, gincanas, paródias, histórias, músicas, poemas, dentre outros. Em relação à avaliação ela acontece durante todo o processo por meio da participação e interesse dos alunos. Para M.B.D.S (41)os conteúdos são articulados a temas transversais. A avaliação é a diagnóstica que visa à construção do conhecimento do educando.A quarta pergunta era quem estabelecia o conteúdo a ser trabalhado durante o programa. R.F.F.A (28) e A.J.M (25) dizem que o conteúdo foi estabelecido pelas próprias estagiárias, pois no início do programa na unidade onde trabalhavam não tinha um coordenador pedagógico, hoje porém acontece mensalmente um encontro com a coordenadora pedagógica em outra unidade. M.B.D.S (41)diz serem as estagiárias, com a sua cooperação.A quinta pergunta abordou qual o papel do pedagogo nesse programa. R.F.F.A (28) acredita que além de ser mediador, facilitador de novos conhecimentos, o pedagogo deve também ter o compromisso de resgatar socialmente as crianças e adolescentes por meio de um processo educativo. Segundo A.J.M (25) o papel do pedagogo nesse programa vai além da transmissão de conhecimentos, ele exerce papel de pai e mãe sem ser, faz-se psicólogo ou busca ajuda de um, intervêm como um assistente social e busca sempre transmitir os conteúdos de forma dinâmica por meio de aulas diferenciadas que estimulem as crianças a serem cidadãos de bem e a exercerem um importante papel de agentes transformadores da sociedade em que vivem. Para M.B.D.S (41)o papel do pedagogo é o de letramento do educando.A sexta pergunta foi sobre as principais limitações do pedagogo no contexto desse programa. R.F.F.A (28) acredita que precisa de uma maior integração entre a família das crianças com a escola. Uma limitação citada foi o fato de a escola não fornecer o conteúdo que os alunos estavam vendo. Já A.J.M (25) acredita que o fato de a escola não fornecer o conteúdo, abriu brechas para que as estagiárias desenvolvessem certa autonomia dentro do programa. As limitações citadas por ela eram a de depender da equipe para realização de algumas atividades, como por exemplo, a compra de materiais para a execução de oficinas.M.B.D.S (41)Acredita que depende muito da criatividade e comprometimento do pedagogo com o programa, sendo que o mais importante é o desafio.A sétima pergunta foi se elas acreditavam que o trabalho exercido por elas contribui para que as crianças atendidas tenham uma nova perspectiva de vida. E como? R.F.F.A (28) acredita que despertando a consciência crítica, participativa na vida dos alunos, elevando a auto-estima, o interesse, trabalhando valores, boas atitudes, bom comportamento, respeito, dentre outros. Segundo A.J.M (25) as crianças podem ter uma nova perspectiva de vida à medida que uma visão diferente da vida lhes for apresentada, a partir do momento que elasfossem vistas com seus próprios olhos e respeitadas individualmente como ser único e dotado de características peculiares, tendo cada uma seu tempo, sua forma de pensar, de agir, de aprender, de construir, de se comunicar e de ser, terão a possibilidade de se conhecer melhor e de se relacionar com o mundo. Para ela, a base desse trabalho deve ser o amor, pois se as crianças forem amadas serão emocionalmente fortes para superar as adversidades da vida, e transformá-las em situações favoráveis e de crescimento, pois o amor é capaz de transformar tanto as pessoas com as situações. M.B.D.S (41) acredita que a partir da informação, conscientização e mudanças de atitudes e comportamentos, podem provocar/possibilitar mudanças que contribuam para uma perspectiva mais positiva na vida das crianças.A oitava pergunta foi qual o preparo que o profissional gostaria de ter tido em termos acadêmicos para lidar com as situações enfrentadas. R.F.F.A (28) diz que deveria ser oferecido no inicio dos cursos de graduação a disciplina de educação em espaços não escolares, bem como promover além do conhecimento teórico algo prático aos alunos. Para A.J.M (25) as instituições de ensino superior deveriam propor aos alunos uma disciplina específica e um estágio supervisionado nesses espaços, como acontece com a Pedagogia dentro do espaço escolar. M.B.D.S (41) acredita que teve, pois a faculdade nunca vai oferecer todo o conhecimento, porém, vai depender muito mais do buscar do pedagogo.Concluindo o questionário destinado aos pedagogos que atuam nesse programa social, perguntamos qual o resultado se espera alcançar com o trabalho desenvolvido.R.F.F.A (28) espera que os alunos com os quais trabalhou, possam sair melhores que entraram no programa. Espera ter conseguido despertar, senão em todos, na grande maioria sentimentos positivos, atitudes de respeito, cidadania, de confiança na capacidade deles próprios, etc. A.J.M (25) espera ter permitido que os alunos fossem eles mesmos, porém, conduzidos ao acerto por uma regra de afetividade que os farão sempre optar por uma vida digna, cheia de valores morais, ética, respeitando às diferenças, preservando o ambiente, conscientes de seus direitos bem como seus deveres, sabendo que são dotados deinteligências e capacidade de irem além do que acreditam que possam ir. E espera ainda ter contribuído para que esses cidadãos sejam o orgulho e bem maior que o Brasil possui. M.B.D.S (41) espera poder contribuir com a formação crítica, consciente dessas crianças.Análise dos dados respostas dos pedagogos Na questão de número um, percebemos que a preparação das entrevistadas divergiu sendo que uma teve preparo na formação, outra por experiências vivenciadas, enquanto que a outra relatou dificuldades por ser uma experiência nova na sua profissão.Na questão número dois, as respostas foram unânimes no que diz respeito à superficialidade com que foram preparadas para exercerem o papel dentro desse programa. Na questão número três e número quatro, que tratam a respeito do funcionamento educacional (conteúdo, metodologia e avaliação) dentro do programa, houve semelhança nas respostas uma vez que trabalham e elaboram juntas as aulas e as atividades pedagógicas tendo o aval da coordenadora pedagógica para a execução. Na resposta de número cinco, sobre o papel do pedagogo nesse programa social, embora utilizassem diferentes formas de expressar sua opinião as três respostas se assemelham entre si e dizem da responsabilidade de trazer um resgate social sobre esses alunos, bem como se comprometer em que eles tenham condições de compreender o mundo que os cercam.Na resposta de número seis, houve concordância entre as respostas no que diz respeito à participação conjunta da escola e a família no programa. Porém, enquanto uma acredita ter sido uma limitação o fato da escola não passar o conteúdo que as crianças estavam vendo para que se baseassem e a partir daí montassem seus conteúdos, a outra acredita ter sido uma abertura favorável para se desenvolver a autonomia. Ainda, uma das entrevistadas acredita que o desafio do programa está no comprometimento e criatividade do pedagogo. Na resposta de número sete, todas acreditam que podem dar uma nova perspectiva de vida aos alunos atendidos pelo programa, quer despertando a consciência crítica, elevando a auto-estima, formando-os para vida na sociedade ou utilizando o caminho da afetividade. Na resposta de número oito, das três entrevistadas duas acreditam que deve ser inseridos nos cursos de graduação disciplinas não só teóricas, mas também práticas e específicas para preparar melhor o pedagogo do espaço social, enquanto a terceira acredita que cabe ao pedagogo buscar o conhecimento que a formação não o proporcionará. Por fim, na resposta de número nove, o resultado esperado de seu trabalho nesse programa, foi unânime, o desejo de contribuir para que essas crianças tenham um futuro de sucesso por meio da educação, conscientização, valorização pessoal e socialização igualitária.5- Considerações FinaisPara se conhecer o trabalho do pedagogo no espaço não escolar, em programa social, utilizou-se o questionário que trazia questões relacionadas a esse trabalho e aspectos importantes quanto ao seu desenvolvimento. Julgamos que ninguém melhor que a equipe poderia dizer qual a importância do pedagogo nesse espaço, por outro lado, ninguém responde tão bem como o próprio pedagogo em exercício desta função, sobre seus desafios, limitações e oportunidades. As dificuldades para a realização desta pesquisa giraram em torno de ser ainda uma atuação pouco explorada. As bibliografias relacionadas são menos comuns que as relacionadas às outras áreas de atuação do mesmo, o que leva a pesquisa a se basear mais em artigos científicos que em livros de autores renomados. Além de ser um trabalho desconhecido pela maioria das pessoas que ainda não conhecem qual a função exercida pelo pedagogo e a sua importância. Percebemos insegurança da parte da equipe ao se tratar deste aspecto uma vez que julgaram importante a presença de um pedagogo junto à equipe, porém, sem fundamentar a justificativa, o que caracteriza desconhecimento do assunto.Após analisarmos as repostas dos pedagogos envolvidos no programa que deu origem a este estudo de caso, percebemos aspectos importantes que fazem com que esta pesquisa se torne de grande valor para pedagogos que desejam exercer seu papel dentro de um programa social. Dentre esses aspectos podemos pontuar o fato de ser um trabalho realizado fora do ambiente escolar o que promove a autonomia do pedagogo, por fugir do atendimento seqüencial e programático, imposto pelo sistema de ensino a que estão submetidas às escolas públicas e às instituições de ensino. As aulas podem ser ministradas fora da sala de aula, geralmente em espaços ao ar livre, de maneira dinâmica e diversificada. O pedagogo se comprometerá em formar o cidadão nos aspectos de sua moral e conduta ética, trabalhando temas de sua realidade envolvendo sentimento de acordo com a necessidade das crianças e diariamente é gerado por esse trabalho um sentimento de solidariedade, respeito, amor que será a base do relacionamento que direcionará todo o trabalho por ele exercido. O trabalho com as crianças ditas de baixa renda, ou em situação de vulnerabilidade social, acarreta um preconceito que abre a porta para que essas crianças sejam geralmente rotuladas como agressivas, de baixo rendimento escolar e indisciplinadas. Através de observação no decorrer das aulas neste estudo de caso, as crianças demonstraram-se abertas ao conhecimento, participativas nas atividades propostas, amáveis com seus professores, solidários com os colegas e gratos pela oportunidade de fazerem parte do programa. O pedagogo social deve, portanto, estar disposto a se dedicar a essas crianças e a se fazer por vezes amigo, parente, defensor, abrigo, enfermeiro, psicólogo, educador, fonte de afeto e respeito e por fim, ele deve ser um bom ouvinte e um melhor conselheiro esse caminho levará a um trabalho de sucesso. Onde ambos serão aperfeiçoados e terão um bom êxito por simultaneamente ensinar e aprender. Doar e receber. Acima de tudo vê-los cada um como um mundo de possibilidades de acertos que farão o mundo melhor. Acreditar nas pessoas é o ideal dentro do programa social.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012